O fim da carreira de Barrichello e a nova chance de Bruno Senna

Nesta semana, o anuncio mais esperado do mês foi realizado colocando Bruno Senna como companheiro de Pastor Maldonado na Williams. A equipe inglesa juntou prós e contras, analisou o concorrente à vaga, o também brasileiro Rubens Barrichello, que fez um bom trabalho enquanto pilotou o carro azul e branco de Grove, e por fim, optou por Bruno.

A Williams aposta no trabalho de Bruno junto aos engenheiros para uma boa temporada em 2012

Segundo a própria escuderia, a escolha não levou somente em conta o fator financeiro, claramente vencido por Bruno Senna. A capacidade técnica também foi levada em conta. E por mais que se digam que Barrichello possui uma experiência que poucos possuem atualmente na Fórmula 1 e seja um grande acertador de carro, a equipe Williams preferiu colocar um outro profissional para ajuda-la a fazer um 2012 bem melhor do que o ano passado.

Bruno Senna ganhou sua terceira chance na categoria muito porque as duas chances anteriores que teve não serviram de parâmetro concreto para julgar seu desempenho como piloto. Na Hispania, o carro indiscutivelmente não colaborou nem um pouco para que o brasileiro pudesse mostrar para que veio à F-1. No ano passado, Bruno assumiu a vaga de Nick Heidfeld na Renault e se viu cheio de dificuldades em um campeonato que já estava em andamento. Desse modo, uma temporada completa é a chance, talvez a última, que ele tenha para mostrar se realmente merece estar na principal categoria automobilística do mundo.

Muitos consideram um risco ter uma dupla de pilotos como Bruno Senna, que tem um potencial discutível ainda, e Pastor Maldonado que demonstrou somente ser um piloto mediano. O que Barrichello possuía de sobra, Senna e Maldonado precisarão de um longo tempo na F-1 para adquirir. A falta de experiência pode pesar, ainda mais em uma equipe que está em reestruturação técnica e contará com novos motores para esse ano, além de novos comandantes técnicos. No entanto, uma mudança talvez seja o que realmente a Williams precisa para sair de um momento tão difícil como é esse que ela se encontra atualmente.

Quanto a Rubens Barrichello, sua carreira na F-1 terminou, enfim. Foram quase 20 anos e muita história vivida nos paddocks da categoria. Há ainda quem acredite que em 2013, com as grandes mudanças que a F-1 prepara, ele possa voltar em alguma escuderia e usar sua experiência a serviço da F-1. Uma volta como fez Michael Schumacher, por exemplo. Mas acredito que com uma concorrência tão forte como a que existe na F-1, Barrichello, por vontade própria, não irá atrás de um retorno a categoria.

Para Bruno Senna, seria interessante que em 2012 ele possa demonstrar o potencial que revelou em outras categorias como a GP2. Para Rubens Barrichello, que ele possa “gastar” sua energia e paixão pela velocidade em outros circuitos, em outros carros e em outras categorias mundo a fora.

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A Dinastia Gachot

A Fórmula-1 costuma ser cruel com quem ousa sair de seus domínios pela porta dos fundos. A categoria, cheia de melindres e meandros manhosos, não é de tolerar casos de escândalos, sejam públicos ou esportivos, e isso não vale apenas para pilotos. Cartolas como Max Mosley e Flávio Briatore também já foram vítimas da fúria moralista (e hipócrita, em muitos dos casos) desse ambiente tão particular. Pouquíssimos são os que conseguem conquistar o efeito teflon de Fernando Alonso e sair de uma acusação sem o menor vestígio de sujeira agarrado à sua imagem.

Para quem ainda não é uma estrela do esporte como o bicampeão espanhol as coisas não são tão fáceis, e quem anda comprovando essa tese é Adrian Sutil. O piloto alemão começou a ser julgado essa semana na Côrte de Munique pela confusão ainda muito mal esclarecida em que se meteu numa boate em Xangai depois do GP da China, em abril de 2011. Na ocasião, Sutil feriu como um copo o luxemburguês Eric Lux, um dos sócios da empresa que detém a propriedade da Lotus Renault. Lux teve um profundo corte no rosto e no pescoço que precisou ser costurado com 24 pontos.

A pose sorridente de Sutil deve ser substituída por um tom mais compenetrado até o fim do julgamento

Em meio a pedidos de desculpa da parte de Sutil e da ameaça de processo por Lux, o piloto prosseguiu ao longo de 2011 na Force India, equipe pela qual disputa o mundial desde 2008. Dispensado no final do ano passado, Sutil era um dos nomes cotados para assumir um cockpit na Williams ao lado do venezuelano Pastor Maldonado, mas “coincidentemente” nessa semana em que seu julgamento teve início, pipocaram as notícias de que as negociações entre o time de Grove e Sutil esfriaram.

Quem sai da Fórmula-1 com acusações desse porte nas costas, a menos que seja uma estrela como o já citado Alonso, não costuma voltar, pelo menos não tão cedo. Se volta, dificilmente repete o brilho de antes.

Piquet e Gachot

Nas últimas duas décadas, dois pilotos exemplificaram essa máxima. Em 2008, Nelsinho Piquet, pressionado na Renault pela falta de resultados, aceitou fazer parte de um escabroso jogo de manipulação de resultado no GP de Cingapura para ter seu contrato renovado. O piloto brasileiro bateu de propósito em um dos muros do circuito para favorecer seu companheiro de equipe, que era ninguém menos do que Fernando Alonso. Um ano depois o escândalo estourou durante a transmissão do GP da Bélgica, quando Reginaldo Leme escancarou o esquema ao vivo na Tv Globo. Briatore foi afastado da qualquer atividade na categoria e Nelsinho saiu com a reputação imensamente em baixa indo para os Estados Unidos correr na Nascar. Alonso, ileso, sequer costuma ser questionado sobre o caso, afirmando que tudo foi armado à sua revelia.

Outro caso célebre, e bem mais parecido com o de Sutil, foi o do belga Bertrand Gachot. Em dezembro de 1990 ele se envolveu em uma briga de trânsito depois de colidir com um táxi em Londres, sacando um tubo de gás lacrimogêneo e disparando contra o rosto do taxista depois de trocarem uns sopapos. Gachot não sabia que o porte de gás lacrimogêneo era proibido na Inglaterra. O taxista brigão, de nome Eric (!) Court, resolveu entrar com um processo conta o então piloto da Jordan.

Em 1991, Gachot fazia uma boa temporada com a Jordan, chegando a terminar três corridas em posições pontuáveis. Em agosto, na altura de sua corrida doméstica, o belga foi a Londres ouvir sua sentença. Para incredulidade geral, o piloto foi condenado a seis meses de prisão. Às vésperas da corrida em Spa e com um cockpit vago, Eddie Jordan não resistiu à oferta de 300 mil dólares oferecidos pela Mercedes Benz para que um tal Michael Schumacher, jovem piloto formado pela montadora alemã, disputasse o GP da Bélgica em um de seus carros.

Revoltado com a prisão do piloto local, o público belga declarou sua insatisfação no asfalto de Spa: "Gachot, a Bélgica está com você. Você não é um hooligan".

A carreira de Gachot não acabou por causa de sua prisão na Inglaterra, mas jamais voltou a exibir o mesmo brilho de antes da prisão. Libertado do sistema penitenciário britânico, o belga conseguiu uma vaga na fraca equipe Venturi em 1992 e conquistou o único ponto da curta história do time no GP de Mônaco, quando terminou em sexto. No final do ano a Venturi desapareceu e Gachot novamente ficou sem emprego. Só voltou à Fórmula-1 em 1994, vagando sem muito objetivo nas pistas pela Pacific. Não conseguiu completar corridas nesse ano, seja por abandonos ou, na maioria dos casos, por nem conseguir se classificar. Encerrou sua carreira na Fórmula-1 em 1995, depois de completar duas corridas, nenhuma nos pontos.

Sutil na corda bamba

O fato de as negociações entre Sutil e a Williams terem esfriado justamente na semana em que começou o julgamento do piloto alemão já dá o tom de como pilotos envolvidos em escândalos não são bem recebidos pela Fórmula-1. Gachot jamais voltou a disputar corridas por uma equipe promissora depois de sua prisão. O futuro de Sutil ainda é incerto, até mesmo porque sua sentença ainda não saiu. Mas, mesmo se for condenado, ele pode voltar para a Fórmula-1 em função da condição particular que vive a categoria.

Experiência é um artigo que vale ouro nesses tempos de testes praticamente abolidos. Pilotos com qualquer período de prática em um F-1 estão com cotação em alta, perdendo apenas para pilotos pagantes no mercado de emprego das equipes, sobretudo no das pequenas. E Sutil, além de estar longe de ser um piloto ruim, disputou quatro temporadas na Force India, sendo três empurrado pelos motores Mercedes e uma com os propulsores da Ferrari, além de usufruir, nesse período, do corpo técnico de uma das equipes que mais progrediu no grid nos últimos anos. Com um currículo desses, não está descartada a possibilidade de ele voltar ao campeonato por uma equipe pequena em médio prazo.

Se Sutil será ou não o novo Gachot, ainda é cedo para dizer. A coincidência de nomes entre as vítimas das agressões em ambos os casos é marcante, mas as diferentes épocas em que os casos se deram podem dar ao alemão uma sobrevida mais feliz na Fórmula-1. Diferença maior do que essa é que a saída de Gachot abriu caminho para o surgimento de um piloto que remodelou a história da categoria. Já o afastamento de Sutil deve abrir espaço para um sobrinho de gênio com sobrenome famoso ou um veterano já velho de guerra das pistas.

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Um Vrooom em ponto morto

Nesses tempos em que uma boa gestão de imagem é tudo, a Philip Morris, patrocinadora da Ferrari na Fórmula-1 e da Ducati na MotoGP, acerta em cheio ao iniciar o ano promovendo o encontro entre a imprensa especializada e as duas equipes onde estampa (?) sua marca. Mas a começar pela cobertura da imprensa especializada, tímida como não se via há muito tempo, percebe-se que essa edição do Vrooom, evento que tradicionalmente abre a temporada e acontece pela 22ª vez, passa longe de despertar o interesse de outrora. A Ferrari vem de três campeonatos fraquíssimos, exibindo um poder de reação lento demais para uma categoria como a Fórmula-1, ao passo que a Ducati, apesar de contar com dois campeões e de ter o gênio Valentino Rossi como piloto, também teve um desempenho abaixo do esperado em 2011.

As duplas de Ferrari e Ducati no Vrooom do ano passado

No caso da Fórmula-1, apesar de a Ferrari ainda ser “a-equipe-mais-tradicional-e-única-que-está-no-campeonato-desde-1950”, como os italianos não nos deixam esquecer, o interesse pelo Vrooom nesse ano é morno. É bem verdade que os dias mais palpitantes do evento e entrevistas com Domenicali, Alonso e Massa ainda estão por vir. Mas nesta segunda-feira (09), dia que abriu o Vrooom nos alpes italianos, nenhum dos três principais sites especializados em automobilismo no Brasil estampou a festa vermelha como chamada principal, diferente do que tradicionalmente ocorria em outros anos.

Além das campanhas fracas e da falta de reação da Ferrari nas últimas três temporadas, fatores como a estabilidade da dupla de pilotos não contribuem para dar ao evento um ar novidadeiro. Nem mesmo a partir de quarta-feira, quando as estrelas começam a falar aos repórteres, o clima deve esquentar nas montanhas geladas da Itália. Domenicali, Alonso e Massa vão continuar respondendo sobre expectativas para 2012, reação do time e relação entre a dupla de pilotos. São perguntas feitas em série aos três pelo menos desde o final de 2010.

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Parada nos Boxes

Os editores deste blog, que já têm reservado menos atenção a essa página do que deveriam, anunciam uma paradinha nos boxes para as festas de fim de ano.

Mas é rápido. No início de janeiro já estaremos de volta com os preparativos da pré-temporada.

A todos os leitores um feliz natal, excelente 2012 e que alguém dê um pouco mais de trabalho ao Vettel no ano que vem pro negócio não ficar sem graça.

Até, janeiro, pessoal!

Strike!

Apesar do que o título sugere, esse não é um post sobre uma batida fenomenal que tirou vários pilotos de uma corrida de uma só vez. Ou é. Porque o mercado de pilotos recebeu com certa incredulidade o anúncio da Toro Rosso, que resolveu sacar de uma só vez os seus titulares de 2011: saem Jaime Alguersuari e Sebastien Buemi para dar lugar a Daniel Ricciardo e Jean-Eric Vergne.

O que se previa era que a Toro voltasse do inverno europeu com um dos titulares desse ano ainda na equipe. Pelo menos foi o que ficou sugerido pelas declarações de Helmut Marko e Franz Tost ao longo da temporada, quando ambos sugeriram a Alguersuari e a Buemi que encarassem o ano como um vestibular. A decisão da dispensar a dupla de 2011 supreende ainda mais porque Alguersuari, particularmente, fez um bom ano e claramente se encontra no melhor momento de sua curta carreira.

Vejamos: aos 21 anos, com duas temporadas e meia de Fórmula-1, o espanhol disputou 46 provas e conquistou 31 pontos, sendo 26 deles em 2011. Conseguiu ir para o Q3 em três oportunidades nessa temporada e terminou duas corridas na sétima colocação. Qualquer comparação com o Vettel de 2008 é injusta, até porque a Toro Rosso daquele ano conseguiu a proeza de ter um carro mais competitivo do que o da matriz Red Bull.

A saída inesperada dos dois pilotos que disputaram o mundial desse ano pelo time italiano, portanto, deu um susto no mercado de pilotos como um todo, e pôs mais dois concorrentes na briga pelas já escassas vagas para 2012. A Red Bull, que usa a Toro Rosso como tubo de ensaio para tentar desenvolver e lapidar pequenos monstros como Vettel, mantém a tendência de dar lugar a estreantes num carro de Fórmula-1. O novato Vergne, por exemplo, tem 21 anos. Alguersuari tinha 19 quando estreou, batendo o recorde de precocidade na categoria. Entrar na equipe de Faenza, como se vê não é o mais difícil para um jovem talento. Duro mesmo é permanecer por lá.

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A novela acabou, deu Grosjean

Demorou, mas a novela enfim terminou. Romain Grosjean, aquele mesmo que correu 2 anos atrás no lugar de Nelsinho Piquet na Renault que tinha o bicampeão Fernando Alonso, será o companheiro de Kimi Raikkonen na Lotus na temporada 2012 de Fórmula 1. Ou seja, a equipe resolveu trocar seus dois pilotos e apostar em um campeão do mundo que pode atrair olhares atentos para a equipe e conquistar bons resultados e um francês cheio da grana, campeão da GP2 e que garantiu o contrato da empresa francesa Total para o próximo ano.

Os franceses sempre se dão bem nos romances e Grosjean fisgou a Lotus-Renault

Não é lá um piloto que se possa olhar com mais atenção e esperar ótimas atuações, mas Grosjean não era inferior a Bruno Senna ou Vitaly Petrov. A verdade é que pelo ano de 2011 que teve, ele merecia uma vaga de titular na F-1, mesmo não sendo nada de outro mundo.

É uma pena ver Bruno Senna com sua principal chance de continuar na categoria acabada. Acho ele um piloto dedicado, batalhador e tal. Não tem lá o talento do tio, isso é fato. Não é lá um gênio das pistas, outro fato. Mas se mostra sempre determinado e merecia uma vaga de titular para o ano que vem. Mas a vida é assim, ou melhor, a F-1 é pior ainda.

Vitaly Petrov não guardou a língua dentro da boca e soltou várias besteiras nessas últimas semanas. Não guiou nada do segundo semestre para cá, mesmo que o carro tenha sido ruim, claro, mas ele poderia pelo menos ter conseguido resultados mais animadores, ou pelo menos não ter sido batido por um novato na equipe como Bruno Senna. Foi muito bem lá no início da temporada, mas caiu de performance assim como o carro. Se merece ficar fora da F-1 mesmo eu não sei, mas entre Grosjean e Petrov eu também teria escolhido o francês. Petrov tem lá uma esperança de correr na Marussia. Quem sabe…

Para informar os nacionalistas, a situação brasileira na categoria máxima do automobilismo está cada vez mais complicada mesmo. Muito provavelmente só Felipe Massa estará no grid ano que vem. Bruno Senna levou uma grande derrota com o anuncio de Grosjean e não tem muito para onde buscar uma vaguinha. Force India deve fechar com Paul Di Resta e Nico Hulkenberg para ano que vem e a Williams deve ir de Adrian Sutil. Essa última possibilidade praticamente acaba também com as chances de outro brasileiro, o incansável Rubens Barrichello.

Ah, e o Grosjean deu lá sua entrevista. Assistam no vídeo abaixo:

 


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Resumo da temporada

Nós, editores do Blog F-1 e fissurados em Coldplay não poderíamos deixar um vídeo desses passar em branco. Vi na página oficial do Facebook da Autosport um vídeo-resumo da temporada 2011 da Fórmula 1 que se findou semana passada e que teve o bicampeonato dos formidáveis Sebastian Vettel e Red Bull. A edição foi feita por fãs, já que a oficial realizada pela FOM ainda não saiu. Mas – confessando – acho que vou preferir muito mais essa, hein?!

A música do vídeo é “Paradise”, da banda inglesa Coldplay. Então é só apertar play, subir o som e curtir os ótimos momentos de uma temporada marcante para a F-1.

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